UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro

70 Anos de História - Univercidade do Brasil

IFCS - Instituto de Filosofia e Ciências Sociais

(Português) Freud e o Sionismo – um des-encontro histórico

Categorias da publicação: Artigos

Davi L. Bogomoletz — psicanalista.
Rio de Janeiro. Agosto de 1992.

Disse Einstein sobre a Teoria da Relatividade: ‘Se eu estiver certo, os alemães dirão que sou alemão, e os franceses, que sou filho da humanidade. Mas se eu estiver errado, os franceses me chamarão de alemão, e os alemães, de judeu..,”

Na História da Psicanálise, o item “Sionismo” é quase irrelevante, se comparado com as majestosas dimensões histórica e psicanalítica do item “Judaísmo”. E pelo outro lado, para a História Contemporânea do Povo Judeu, a importância de Freud, do judeu Freud, é quase nula. Muito já se escreveu sobre a relação entre a psicanálise, seu ‘inventor’ Freud e o povo do qual ele descende. Surge agora em português este “Freud e o Sionismo”, analisando um aspecto específico dessa relação — a postura de Freud frente ao sionismo, o movimento judaico de libertação nacional, criado exatamente em Viena, onde vivia Freud, por um judeu vienense e assimilado como ele, Herzl, na última década do século dezenove, a mesma época em que Freud apertava os últimos parafusos nas fundações de sua própria criação. Em certo momento, diz o autor, os dois homens moraram na mesma rua. Mas parece que nunca se encontraram. Ironias.

Freud jamais aceitou publicamente o Sionismo. Por que? A meu ver, para esse gigante da alma humana, nos dois sentidos da expressão, o Sionismo deve ter parecido mais uma derrota que uma conquista. A meu ver, Freud queria ser reconhecido, respeitado, queria sentir-se em casa justamente naquele mesmo meio fio enlameado onde um moleque anti-semita (futuro general da Wehrmacht? Das SS?) atirou à sarjeta o chapéu novo de seu humilhado pai. Suspeito que só ali, naquele mesmo lugar onde o crime foi cometido, é que Freud aceitaria receber as desculpas da humanidade e perdoá-la, e então sentir-se aceito. E isto implicava em continuar sentado em Viena, suportando as humilhações subseqüentes, porque sair dali seria o mesmo que perder a possibilidade da desforra. Freudianamente falando, poderia haver nisto um deslocamento para os anti-semitas do seu próprio ódio ao pai (vide “Um Transtorno da Memória no Coliseu de Atenas”) mas o que importa é que eu quase VEJO Freud em pé, numa esquina de Viena, olhando em volta e murmurando entredentes: “Daqui só saio vingado – ou morto!”).

Ao longo do livro vai ficando claro que Freud foi “fechando” com o Sionismo político à medida que o Nazismo foi fechando o destino dos judeus. Muito antes de 1938 (quando Freud cedeu e exilou-se na Inglaterra) já era bastante óbvio que o Nazismo não era um pesadelo do qual seria possível acordar. Mas essa barbárie, esse delírio ululante das multidões assassinas eram justamente o inimigo pessoal de Freud! Dos moleques da infância de seu pai a Hitler instalado no Reichstag não só nada mudou, como pelo contrário — confirmaram-se todas as suas hipóteses. Os monstros habitantes do inconsciente haviam adquirido corpo! O Mal Estar na Cultura, Totem e Tabu (a horda primitiva e o assassinato do pai), O Futuro de uma Ilusão, Para Além do Princípio do Prazer (a idéia do instinto de morte, que funcionaria como uma hipótese explicativa para tanta ferocidade), Psicologia de Grupo e a Análise do Ego (a perda da identidade — e da capacidade de julgamento no interior do corpo grupal), todos estes trabalhos (a parte social da obra de Freud) estavam confirmados pelo Nazismo. Lá estava a selvageria latente do “homo sapiens”, que Freud não se cansava de desancar. “O verniz de civilização a mim não engana”, dizia ele.

Ceder a “eles”, fugindo para uma terra própria? Ora, isto equivaleria a dar o braço a torcer! Não, um homem como Freud não faria isso. Sua última “obra” escrita em solo austríaco — o “recibo’ exigido pela Gestapo, comprovando que ele não foi molestado de modo algum, e que ele arremata num ápice de sarcasmo: “recomendo vivamente a Gestapo para quem dela possa necessitar…” — deixa claro que, além da guerra entre anti-semitas e judeus, havia uma outra, entre Freud e os anti-semitas, símbolo máximo do primitivo, do patológico que há no bicho—homem (pelo que este tem de racista, não pelo que tem apenas de anti-judaico). E Freud ganhou a sua guerra. Os nazistas se curvaram a ele: Houve outros tirados com vida do inferno nazista (Bettelheim, por exemplo), mas Freud foi o único — que eu saiba — a sair cuspindo sobre as baionetas que o expulsavam.

Ao longo da leitura, o livro de Chemouni revela-se fascinante por direito próprio. Não é, definitivamente, o esmiuçamento obsessivo de um pontinho à margem, mostrando-se na verdade uma pesquisa extremamente criativa que, a partir desse ponto à primeira vista pouco relevante, pinta uma ampla paisagem sócio—político—histórico—psicológica não só da relação Freud—Sionismo, mas de um capítulo muito pouco conhecido na vida do judeu Sigmund e do movimento intelectual por ele criado. Por exemplo, quando aborda um aspecto da juventude de Freud pouquíssimo divulgado até então — a época em que este, estudante universitário, faz parte de um clube cultural nacionalista austríaco — na verdade alemão. Entusiasmado com o valor universal da cultura alemã, capaz de produzir um Goethe, e abominando, como o fizeram tantos judeus inteligentes da época, a estúpida e injustificável rejeição dos judeus pelos descendentes desse e de outros gigantes do humano, Freud também bateu-se por ser aceito. No entanto, foram todos eles rejeitados, e muito antes de surgir a “Solução Final” já estava claro (e para Freud isto ocorreu em 1878, ano em que é dissolvida a associação estudantil de que fazia parte) que a rejeição era “final”, imune a qualquer argumento. Diz Chemouni: “A obra de Freud permite compreender que o anti-semitismo não é um simples efeito de mutações políticas ou econômicas, como muitas vezes se crê, mas resulta de tensões e de conflitos psíquicos, reais e fantasmáticos, que traduzem tão tragicamente as relações entre judeidade e germanidade.” (Pág. 39). Ou seja: Freud enfrentava, acima de tudo, uma doença, a “sua” doença, a doença da alma que ele foi o primeiro a compreender, descrever, e por fim combater com alguma eficácia.

O Sionismo era simpático a Freud, sem dúvida, mas não para ele próprio. O homem que lutou quase sozinho contra os monstros do lado escuro da mente lutou também quase sozinho contra a besta anti-semita. Via-se hostilizado por um fogo cruzado — de um lado o alvejavam por seu judaísmo, e de outro por sua psicanálise, e ele sabia que havia algo em comum a essas duas “rejeições”. Não fosse ele judeu, os europeus o rejeitariam por causa da psicanálise. Não fosse a psicanálise, ele seria recusado enquanto judeu. Conclui-se que ele tinha uma briga contra a estupidez humana em geral, essa contra a qual mesmo os deuses lutam em vão. As duas frentes de sua luta complementavam-se, pois.

Ele próprio conta que, ainda jovem, elegeu como seu grande herói o cartaginês Aníbal, o semita que enfrentou e quase derrotou o Império Romano (europeu). Esse Freud—Aníbal não queria uma província distante que fosse sua. Queria que Roma — a Europa — desistisse de rejeitá-lo, o admitisse como um igual, reconhecesse o valor de sua obra. Porque não foi enquanto judeu que Freud criou a psicanálise, e sim enquanto médico, e portanto como um representante do gênero humano, já que a medicina não tem pátria nem nacionalidade, e a psicanálise não tinha como objeto a miséria psíquica dos judeus, mas de toda a humanidade. E teria que ser nestas condições — universais — que Freud exigia ser reconhecido, assim creio. Por isso não se engajou no movimento sionista, participou dele apenas como “torcedor individual”, nunca “organizado”, mas o apoiou e estimulou o mais que pôde, pelo que conta Chemouni. E mais não pôde, porque numa Europa epidemicamente anti-semita dava-lhe horror a idéia de ver a psicanálise jogada ao lixo por ser obra de um judeu, como a genética foi jogada ao lixo pelos soviéticos, que tentaram criar uma genética “proletária”. O fato é que os dois movimentos, a psicanálise e o sionismo, quisessem ou não, fincaram raízes e, como se diz, “vingaram”. Contestadores houve para ambos — e esta é uma constatação, não necessariamente uma correlação. O fato é que ignorar os vínculos de Freud com o Judaísmo enquanto cultura, e com o sionismo, fruto tardio dessa cultura, (como fez Jones, por exemplo), equivale a fazer, conscientemente ou não, o jogo de seus velhos inimigos anti-semitas.

Historiador e psicanalista ele próprio, Chemouni relata brilhantemente a história do des—encontro entre Freud e seu vizinho Herzl. Uma pesquisa densa, surpreendente e oportuna para judeus, para psicanalistas e para todos aqueles que desejam ser eles mesmos. Pois os rugidos do nazismo fazem-se ouvir novamente pelo mundo afora. Com o seu crescimento, estarão todos ameaçados — os judeus por serem judeus, e a psicanálise por espiar criticamente para dentro da alma humana, buscando dissolver, ali, as formações narcísicas onipotentes, negadoras da diferença e do outro, e também do próprio eu, que afinal não existe sem o outro. Esses fenômenos emocionais, como se sabe, são as matérias primas para a confecção do uniforme nazista. No nível apenas individual, incomodam os que estão por perto, e são sempre bem vindos ao divã do analista. Mas quando se tornam multidão e legitimam-se mutuamente, ganhando força política, de negadores do outro transformam-se em seus assassinos. E então é a própria humanidade que se torna sua vítima. Na época, os judeus eram apenas o primeiro “obstáculo” rumo à homogeneização do mundo. Agora é o lúmpen—proletariado imigrante terceiro—mundista, refugiado da miséria. Mas isso nada muda – basta constatar que os “inimigos” da matilha pseudo nazista de São Paulo, por exemplo, são os homossexuais, os nordestinos, os negros – e os judeus, naturalmente.

Como penúltima mensagem em vida, quase um “último desejo”, Freud publica o “Moisés e o Monoteísmo”. Ao dizer que Moisés não era hebreu, e sim egípcio, Freud deixa a meu ver implícita a seguinte mensagem: “Parem com isso, judeus. Vocês não são exclusivos, nem são filhos únicos de um Deus especial. Vocês e sua cultura são patrimônio da humanidade, já que o nascimento mesmo dessa cultura deveu-se a alguém que nem era um de vocês. Esqueçam essa história de “eleitos”. No máximo vocês foram os guardiões. Mas o tesouro que vocês guardam pertence a todos, à espécie humana, e isso muda tudo. Se vocês esvaziarem o narcisismo inflado por tantas coisas (boas e más), o anti-semitismo também perderá o seu gás. E então poderemos viver onde quisermos, e não precisaremos mais de um país.”

A mensagem me parece legítima, exceto sua conclusão.

Ocorre que esta é, de fato, a conclusão a meu ver infeliz de Chemouni: “A Terra Prometida moderna — ou do judeu moderno, como Freud — ignora a geografia. Ela só reconhece como território a espiritualidade, único domínio a ser conquistado. Uma vez estabelecida essa Terra, judeus e gentios nada poderão fazer a não ser converter-se a ela. Este é o significado do empreendimento freudiano.” (pág. 203). Assim fala Chemouni, ressuscitando o sonho de Ahad Haam, o ideólogo do belo sionismo “ideal”, mais na idéia que no chão.

Teria Chemouni esquecido que, para apartar a briga entre o lobo e a ovelha, seria mais inteligente convencer primeiro o lobo da ilegitimidade da briga, para depois convencer a ovelha? Não, ele não esqueceu. Mas ele o “lembra’ pelo lado do avesso, no parágrafo seguinte: “Roma, também, compartilha esse imaginário. Desde sua criação não tenta ela conquistar espiritualmente o mundo? É a opinião de Franz Rosenzweig, quando afirma que sua (de Roma) Terra Prometida é o mundo inteiro, e sua arma conquistadora, a conversão.” Chemouni diz aqui “Roma, a cristã”, mas por incrível que pareça, perde de vista a ressonância histórica do termo “Roma, o Império esmagador” — que em primeiro lugar esmagou a nacionalidade judaica. Chemouni dá a impressão de, mais uma vez, incidir na estupidez histórica de convencer a ovelha a deixar de se defender do lobo. Triste fim para um brilhante livro.

Enquanto psicanalista, eu posso entender Freud, sua luta pessoal e sua intenção – na sua época. Mas não posso entender Chemouni. Enquanto judeu de carne e osso, que ele também é, não tenho dúvidas: um povo inteiro sem Freud ainda vale mais que um Freud em troca de um povo inteiro. E o sionismo — Israel — é a única garantia de que esse povo continue inteiro, enquanto o Messias não vem – ou não volta… Qualquer pessoa diria o mesmo sobre seu próprio povo. É só sobre o povo alheio que as pessoas se dão ao luxo de serem liberais. Salvo alguns idealistas judeus incorrigíveis, disfarçados de intelectuais ferozmente objetivos, como parece ser o autor, que ainda conseguem ser “liberais” mesmo às custas de sua própria carne. Lamento. Assim como a identidade pessoal descende do narcisismo, a identidade nacional deriva do narcisismo nacional, o Nacionalismo. Não se deve, porém, matar o doente para acabar com a doença. Não é esta a mensagem da psicanálise, e muito antes pelo contrário. A solução pessoal de Freud morreu com ele, em 1939, e eu sempre me perguntei o que teria ele dito caso tivesse vivido mais uns cinco anos.

O fato é que a beleza do internacionalismo até hoje só convenceu a algumas maiorias dominadoras — nunca a uma minoria dominada. Conclusão inevitável: é o lobo que deve desistir de devorar, não cabe à ovelha desistir de se defender.

E se me perguntarem: E isto vale também para os palestinos? Eu respondo: Vale sim — enquanto uma ovelha em si mesma. Mas não enquanto a ponta da pata do lobo pan-islâmico.

http://judaismohumanista.ning.com/forum/topics/freud-e-o-sionismo-um

Green Shoots in Palestine

Categorias da publicação: Artigos
By THOMAS L. FRIEDMAN
Published: August 4, 2009

Em 2002, o Programa de Desenvolvimento da ONU divulgou seu primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano Árabe, que detalhou de forma franca os déficits de liberdade, empoderamento da mulher e criação de conhecimento que impediam o desenvolvimento do mundo árabe.

Ele foi acompanhado por estatísticas graves: a Grécia sozinha traduzia cinco vezes mais livros por ano do inglês para o grego do que todo o mundo árabe traduzia do inglês para o árabe; o PIB da Espanha era maior do que o de todos os países árabes somados; 65 milhões de adultos árabes eram analfabetos. Era um quadro perturbador, produzido corajosamente por acadêmicos árabes.

Divulgado pouco depois do 11 de Setembro, o relatório parecia um diagnóstico de todo o desgoverno que atormentava o mundo árabe, criando bolsões de jovens desempregados revoltados que se tornavam presas fáceis para os extremistas.

Bem, a boa notícia é que o Programa de Desenvolvimento da ONU e um novo grupo de acadêmicos árabes divulgaram na semana passada um novo relatório de Desenvolvimento Humano Árabe. A má notícia: as coisas pioraram – e muitos governos árabes não querem ouvir a respeito.

Este novo relatório foi provocado por um desejo de descobrir por que os obstáculos ao desenvolvimento humano no mundo árabe “são tão persistentes”. O que cerca de 100 autores árabes do estudo de 2009 concluíram foi que cidadãos árabes demais atualmente carecem de “segurança humana – o tipo de fundação material e moral que garante vidas, meios de subsistência e uma qualidade de vida aceitável para a maioria”. Um senso de segurança pessoal – econômica, política e social – “é um pré-requisito para o desenvolvimento humano e sua ampla ausência nos países árabes têm impedido seu progresso”.

Os autores citaram uma variedade de fatores que minam atualmente a segurança humana na região árabe, começando pela degradação ambiental – a combinação tóxica de crescente desertificação, escassez de água e explosão populacional.

Em 1980, a região árabe tinha 150 milhões de habitantes. Em 2007, ela era o lar de 317 milhões e a projeção é de a população será de 395 milhões em 2015. Cerca de 60% desta população têm menos de 25 anos e serão necessários 51 milhões de novos empregos até 2020.

Outra fonte persistente de insegurança humana árabe é o alto desemprego. “Por quase duas décadas e meia após 1980, a região testemunhou muito pouco crescimento econômico”, apontou o relatório. Apesar da presença do dinheiro do petróleo (ou talvez por causa dele), há uma distinta falta de investimento em pesquisa científica, desenvolvimento, indústrias de conhecimento e inovação.

Em vez isso, empregos públicos e contratos públicos dominam. O desemprego médio na região árabe em 2005 era de 14,4%, em comparação a 6,3% no restante do mundo. Muito disso se deve a uma terceira fonte de insegurança humana: os governos árabes autocráticos e não representativos, cujas fraquezas “frequentemente se somam para transformar o Estado em uma ameaça à segurança humana, em vez de seu defensor”.

O relatório me deixaria totalmente sem esperança se não tivesse vindo a Ramallah, a sede do governo palestino na Cisjordânia, para encontrar um pouco de ânimo. Sério.

O conflito entre israelenses e palestinos está para o Oriente Médio como a off-Broadway está para a Broadway. É onde todas as boas e más ideias são testadas primeiro. Bem, o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, um ex-economista do FMI, está testando a nova ideia mais empolgante em governança árabe de todos em tempos. Eu a chamo de “fayyadismo”.

O fayyadismo se baseia na noção simples mas rara de que a legitimidade do líder árabe deve se basear não em slogans, rejeicionismo, cultos de personalidade ou serviços de segurança, mas na oferta de administração transparente, com prestação de contas, e serviços.

Fayyad, um ex-ministro das Finanças que se tornou primeiro-ministro depois que o Hamas chegou ao poder em Gaza em junho de 2007, é diferente de qualquer líder árabe atual. Ele é um nacionalista palestino fervoroso, mas toda sua estratégia é dizer: quanto mais construirmos nosso Estado com instituições de qualidade -serviços financeiros, policiais e sociais- mais cedo obteremos nosso direito à independência. Eu considero isso um desafio ao “arafatismo”, que se concentrava nos direitos palestinos primeiro, instituições do Estado depois, se é que viriam, e não produzia nenhuma delas.

As coisas estão realmente melhorando na Cisjordânia, graças a uma combinação de fayyadismo, maior segurança palestina e a remoção das barreiras por Israel. Ao todo em 2008, cerca de 1.200 novas empresas foram abertas aqui. Nos primeiros seis meses deste ano, quase 900 abriram. Segundo o FMI, a economia da Cisjordânia deverá crescer 7% neste ano.

Fayyad, famoso aqui por ser incorruptível, diz que sua abordagem é “dizer às pessoas quem você é, quais são suas intenções e o que pretende fazer, e então de fato fazer isso”. Em uma época em que todas as grandes ideologias fracassaram em produzir resultados para os árabes, Fayyad diz que deseja um governo baseado na “legitimidade pela realização”.

Algo novo está acontecendo aqui. E dada a centralidade da causa palestina aos olhos árabes, se o fayyadismo funcionar, talvez ele possa dar início a uma tendência nesta parte do mundo -uma que contribuiria muito para melhorar a segurança humana árabe- um governo bom e responsável.

Tradução: George El Khouri Andolfato

20,000 gather in Rabin Square over gay center shooting

Categorias da publicação: Artigos

By Noah Kosharek, Haaretz Correspondent

Twenty thousand demonstrators or more gathered in Tel Aviv’s Rabin Square Saturday night in a rally to show solidarity with Israel’s gay community, including the victims shot at a TA center for gay and lesbian youth a week ago, which left two dead and a dozen wounded.

President Shimon Peres addressed the crowd, saying the shots fired at the gay and lesbian community “hurt all of us – as people, as Jews, as Israelis.” Peres, who spoke against a background of a rainbow flag, mentioned the two Israelis killed in the attack, Nir Katz, 26 and Liz Trobishi, 17, saying “the person who pointed a pistol barrel at Nir Katz and Liz Trobishi pointed it all of you, all of us, at me.”

The president said: “The Creator of the world did not endow anyone with the power to murder his peer.” Peres added that “every person must fight against murder.” Chen Langer, who was wounded in the shooting at 28 Nachmani Street, spoke before the rally. He was released from hospital shortly before the event. “It has been a bad week for Israeli society,” he said.

Advertisement

Ori Gil, who was also wounded in the shooting, said that “no killer will leave us in the closet.”

Organizers said the rally drew 70,000 people, but police estimated the number at 15,000. Several musicians performed at the gathering, including Rita, Dana International, Ninette Tayeb, Amir Fay Guttman, Keren Peles, Corinne Alal and Ivri Lider.

In Jerusalem, members of the homosexual community lit candles at Zion Square in a tribute to the Nachmani Street victims in a vigil organized by Gal Uchovsky, a gay filmmaker and TV personality.

Tel Aviv Mayor Ron Huldai also spoke at the rally in his city, where he said that “we thought that in Tel Aviv-Yafo … we had created an open and accepting society for our children.”

Hours before the rally, an Israel Defense Forces soldier was arrested on suspicion of threatening people who came to demonstrate. In custody, the soldier reportedly confessed to making the threats.

Throughout Saturday, operators of transportation to the rally received telephone threats, including one caller who threatened to bring grenades to the demonstration.

A similar threat was received by organizers of transportation from Haifa. Gal Zberger, who organized a Peace Now bus to take demonstrators from Haifa to Tel Aviv, said: “I got a phone call from a number I didn’t recognize. He asked for details regarding the bus. I gave him the details and asked for his name. He said ‘the one with the grenade.’ I asked what he meant, and he said ‘today you will get hit with grenades, not just guns.’” An activist from the Be’er Sheva, Shai Gottler, said that earlier in the day, he got an anonymous phone call asking him when the buses were leaving for the rally. Gottler told the caller that the buses were leaving at around 6 P.M., and asked if he wanted a ride. In response, the caller said, “I want to come to the pickup point to throw grenades at you.”

The police are investigating and hope to determine the source of the threatening calls.

Ofri Ilani, Yanir Yagana and Fadi Eyadat contributed to this article.


http://www.haaretz.com/hasen/spages/1106147.html

(Português) Os palestinos com falta de representação e estratégia – Gilles Paris

Categorias da publicação: Artigos

Quem representa os palestinos? Sessenta anos após a criação clandestina do Fatah (acrônimo invertido de Movimento de Libertação da Palestina) no Kuait, a questão não é mais um argumento israelense utilizado para evitar a entrada em um processo de negociações julgado a priori custoso demais. O movimento nacional palestino, por muito tempo encarnado somente pelo Fatah, aparece hoje pelo que é: defeituoso, paralisado por divisões e fraturas. A ponto de ser pouco provável que seu congresso, previsto para terça-feira em Belém após ter sido adiado durante duas décadas, baste para recolocar esse movimento em funcionamento.

Pode-se associar o início de suas falhas com o processo de paz de Oslo, lançado em 1993, e que prometia, entretanto, exprimir a aspiração nacional palestina no contexto da solução dos dois Estados, uma Palestina fundada na Cisjordânia e em Gaza. A volta triunfante da OLP e de seu líder, Yasser Arafat, à estreita faixa de terra em 1994, precipitou de fato um rompimento histórico com a diáspora espalhada pelos campos de refugiados criados a partir de 1948.

A criação do Fatah e a “repalestinização” de uma causa por muito tempo instrumentalizada pelos Estados árabes da periferia somente para seu proveito foram produtos dos campos e eram dirigidas contra uma elite palestina acusada de ter fracassado frente ao projeto sionista. Esse afastamento contribuiu para “congelar” a mobilização da diáspora. Os líderes do Fatah e da OLP perderam em poder, dando a impressão de privilegiar agora os palestinos do “interior”.

O segundo rompimento coincidiu com o surgimento de uma oposição interna nos territórios palestinos colocados sob o controle fragmentário de uma Autoridade Palestina abençoada pelas urnas em janeiro de 1996. O Fatah, por muito tempo opressor no centro da OLP, sempre soube enfrentar a contestação, essa “frente da recusa” que rejeitou o acordo considerado injusto de Oslo.

Essa contestação era irrigada por um pan-arabismo e por um pós-marxismo que caíram em desuso a partir dos anos 1980. Com o nascimento do Movimento da Resistência Islâmica (Hamas), em dezembro de 1987, o mentor do nacionalismo palestino teve de contar com uma corrente profundamente implantada e nascida no coração dos territórios palestinos.

A invalidação pela história do postulado de Oslo e do Fatah (a criação inevitável de um Estado palestino no final de um período temporário de cinco anos) abriu um espaço no Hamas. Assim, estava em jogo a aceitação oficial de um Estado palestino em Gaza e na Cisjordânia, com a parte oriental de Jerusalém como capital, ainda que os islâmicos insistam sobre o “direito ao retorno”, uma vez que a iniciativa árabe que constitui atualmente o ponto de equilíbrio dos padrinhos árabes dos palestinos se mantém fiel, mais modestamente, a uma solução justa e negociada (com Israel) respeitando as resoluções das Nações Unidas.

O surgimento dessa oposição é manifesto em duas etapas: a vitória dos islâmicos nas eleições legislativas de 2006, e depois sua tomada do controle militar na faixa de Gaza no fim de uma guerra civil encorajada por países ocidentais que recusam qualquer contato com o Hamas por ele não reconhecer Israel, e por não ter aberto mão da violência (que também é o caso do Hezbollah libanês, apesar de receber outro tratamento).

Desde então, o impasse é total, mantido pelos dois lados, irredutíveis. Mas essa ruptura geográfica tem um custo exorbitante, uma vez que se soma ao rompimento inicial entre palestinos “do interior” e os da diáspora, e que ela condena qualquer perspectiva de eleições gerais agora que os mandatos do presidente Mahmoud Abbas e do Conselho legislativo ou venceram ou estão para vencer.

Esse esfacelamento da representatividade palestina não para por aí. Originalmente uma simples cópia do Fatah, a Autoridade Palestina novamente sob controle dos doadores internacionais não teria se libertado dele, em parte? É a mensagem que os islâmicos do Hamas tentam passar, quando denigrem a “Autoridade Dayton”, assim chamada por causa do general americano encarregado da reestruturação dos serviços de segurança palestinos cuja missão também é ser a principal cortina defensiva em favor de Israel.

O historiador Jean-François Legrain resume o impasse no qual o Fatah hoje se encontra: incapaz de mobilizar todas suas forças tanto sobre uma base nacionalista anti-israelense quanto sobre uma base anti-Hamas, em vista dos laços criados entre milicianos durante a segunda Intifada.

Primeiro dirigente americano a evocar publicamente a criação de um Estado palestino, George Bush havia associado essa perspectiva, em junho de 2002, ao surgimento de uma nova direção palestina para substituir um Yasser Arafat considerado fracassado.

Sete anos mais tarde, o Estado palestino se tornou um refrão em Washington, Londres ou Paris, mas nos territórios palestinos essa direção palestina, representativa, legítima e reunida, ainda não é encontrada.

===================================================

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2009/08/04/ult580u3849.jhtm

topo